Dossiê da Coroa: Ana Maria Daou | A primeira casa que abriu as portas para o Relíquias.

Senta aí, porque hoje a gente inaugura uma série nova.
Toda quarta aqui a gente apresenta peças garimpadas, com história pesquisada e contada. Mas tem certas casas em que a história já vem com a peça, costurada nela. Casas onde cada objeto chegou por um motivo, ficou por outro, e atravessou décadas em diálogo com quem ali viveu. Casas que são, elas mesmas, um acervo.
Quando a gente encontra uma dessas casas, faz diferente. Dá nome, dá rosto, dá lugar. A idéia é não ser um família vende tudo, mas ser memória viva.
Essa série se chama Dossiê da Coroa.
E começa hoje, com a casa de uma mulher que dedicou a vida acadêmica a estudar como as pessoas se constroem em torno dos objetos que escolhem viver. Ironia bonita: quem entendia tão profundamente a relação entre cultura material e identidade fez de sua própria casa o melhor argumento dessa tese.
A primeira coroa é a Ana Maria Daou. Mãe de uma das curadoras e seu acervo faz parte da idealização desse negócio.
A Coroa
Ana Maria Lima Daou nasceu em Manaus e veio pro Rio para estudar e optou por cursar Geografia na PUC-Rio. Foi também aqui que seguiu, fazendo Mestrado e Doutorado em Antropologia Social no Museu Nacional da UFRJ. Tornou-se professora do Departamento de Geografia da UFRJ, formando gerações de pensadores e pesquisadores.


Sua obra é referência sobre a Amazônia. Estudou a formação da elite amazonense no ciclo da borracha, a Belle Époque manauara, o Teatro Amazonas como palco simbólico de uma sociedade que se construía em torno dos objetos, dos rituais, das viagens à Europa, dos paletós e toaletes que desfilavam nas noites de gala. Seus livros — A Belle Époque Amazônica e A Cidade, o Teatro e o “Paiz das Seringueiras” — são leitura obrigatória pra quem quer entender como o Brasil construiu suas elites, suas auto-representações, seus instrumentos e sinais de civilização. Era, nas palavras da filha Diana, “antropóloga e colecionadora de histórias e objetos da família”. As duas coisas, sempre juntas. Não havia separação entre o que ela estudava e como ela vivia.

E talvez por isso o que mais marcava quem convivia com ela era seu jeito. “Elegante e delicada, Ana Maria se movia pelo mundo com leveza e desenvoltura, parecia estar em casa quando andava descalça no mangue ou fazia trabalho de campo no sertão, em comunidades cariocas ou em jantares do Copa e as festas que dava em sua casa.” Era essa a Ana: a mesma pessoa nos dois lugares, sem precisar trocar de roupa social.
A Coroa em casa
A casa ficava em Botafogo, e era lá que a Ana criava os dois filhos, Diana e Gustavo. Era também ali que recebia os muitos e grandes amigos que cultivou ao longo da vida, dava festas, montava jantares, tinha uma mesa grande na sala pra isso, era o tipo de casa em que as pessoas chegavam e ficavam, em que a porta abria fácil e a mesa já cabia todo mundo ou a mesma podia ficar encostada pra dar lugar a uma pista de dança nas festas que a Diana dava.
E essa casa era um lugar muito particular. Nas palavras da Diana: “Tudo nessa casa contava uma história, veio de algum parente e compunha o grande museu de relíquias que foi sua morada.” Nada ali era decoração no sentido raso da palavra. Cada peça tinha procedência humana, uma tia, uma avó, uma viagem específica, uma amizade que durou décadas. Uma sopeira não era uma sopeira, era um capítulo de uma boa história, mas a gente sabe que os antropólogos são mesmo uns grandes fofoqueiros.t






Fora de casa, a Ana tinha um amor declarado: pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro e Visconde de Mauá. Onde ela se conectava com a natureza. Combina com a Ana: a mesma mulher que estudou como elites se constroem em torno dos espaços simbólicos era também aquela que reconhecia, na natureza, um lugar de respiro para se desconectar de um mundo tão duro.
Ela virou poeira de estrela em 2024. E a casa, claro, mudou. Mas as peças seguem aqui, com a história inteira que ela construiu em volta delas. É essa história que esse garimpo carrega.
A casa, as peças e o que vem agora
E é aqui que a história da Ana se encontra com o Relíquias da Coroa. Suas peças começaram nosso acervo. Por isso, já tem peças dela aparecendo por aqui faz um tempo. Mas a gente escondeu o jogo. Rs.
No nosso primeiro Dossiê das Manufaturas (Garimpos #01), a gente apresentou a Porcelana Mauá, primeira manufatura brasileira a fazer porcelana fina entre 1937 e 1968. A pista que a gente deixou na época era de que mais peças Mauá viriam. Pois bem. Vieram. Vieram da casa da Ana. E no Garimpos #03, semana passada, a gente falou de mesa posta, do retorno dos louceiros e da diferença entre comprar um kit pronto e construir uma mesa peça a peça ao longo dos anos. A casa da Ana é a tese viva desse argumento. Nada ali veio de uma vez. Veio devagar, pelas mãos certas, pelos motivos certos, ao longo de toda uma vida.

Por isso, essa é uma curadoria diferente. Doze peças e três conjuntos. Um aparelho lindo de Porcelana Mauá, branca com detalhes em dourado e mais três peças da Scalla Cerâmica, outra manufatura brasileira. Tudo vendido em partes, porque a gente sabe que as casas estão cada vez menores e você quer peças chaves para receber como a Ana. Mas se quiser comprar o conjunto, também tem essa opção.
As peças da casa da Ana
1. Sopeira/Legumeira Média Porcelana Mauá | R$ 250,00









Sopeira média com tampa, no padrão Banda Larga Ouro. A faixa dourada percorre tampa e corpo com ramos de oliveira e pequenas flores incrustados, motivos vindos do repertório neoclássico que a Mauá aplicava no auge da produção. Tem pequenos bicados na ponta, declarados. O resto está intacto: porcelana translúcida, dourado preservado, tampa firme. Selo Mauá no fundo.
2. Sopeira Grande Porcelana Mauá | R$ 350,00






A irmã maior. Mesma porcelana, mesmo padrão Banda Larga Ouro com ramos e flores incrustados, em escala maior. Estado perfeito. Era nesse tamanho que se servia a sopa central numa mesa de oito, dez convidados. Você tira do forno, coloca na mesa, abre a tampa, e a sala inteira sente o cheiro antes de provar. Selo Mauá no fundo.
3. Travessa Oval Funda Porcelana Mauá | R$ 180,00






Travessa oval funda, 26 cm de comprimento, 6 cm de altura. Padrão Incrustado Ouro completo: borda em renda na parte interna, banda larga com ramos guilhochados na beirada externa. É a travessa do arroz com brócolis, do escondidinho, do peixe ao molho, da farofa molhada que precisa de borda alta pra não escorrer. Estado perfeito.
4. Travessa Oval Rasa P Porcelana Mauá | R$ 150,00



A primeira do trio. Travessa oval rasa, 32 cm de comprimento, 4 cm de altura. Padrão Incrustado Ouro idêntico nas três peças do trio: borda em renda interna e banda larga com ramos de oliveira. É a travessa dos legumes assados, do filé fatiado, da couve refogada — daquele acompanhamento que precisa de superfície e não de profundidade. Estado perfeito. Vai bem sozinha. Vai melhor com as duas seguintes.
5. Travessa Oval Rasa M Porcelana Mauá | R$ 180,00



A do meio. Mesma família, mesmo desenho, dimensões um pouco maiores. Estado perfeito. Selo Mauá no fundo.
6. Travessa Oval Rasa G Porcelana Mauá | R$ 220,00



E a maior. Para o peixe inteiro, para o frango assado da mesa de domingo, para a vista de quando alguém chega na sala carregando. Estado perfeito.



Elas belíssimas juntas. Quem quiser leva o trio inteiro (P + M + G) paga 10% menos do que comprando avulso. Só falar com a gente.
8. Travessa Redonda Funda Porcelana Mauá | R$ 250,00






Travessa redonda funda no padrão Incrustado Ouro. Estado perfeito. A redondeza ajuda a servir em volta da mesa sem ninguém precisar levantar. É a travessa do risoto, da massa com molho, do ensopado de domingo.
9. Prato de Bolo / Travessa Redonda Rasa G Porcelana Mauá | R$ 200,00



A última Mauá do garimpo. Travessa redonda rasa grande, que também serve como prato de bolo. Tem um fio na peça, declarado.
É a travessa da carne fatiada com guarnição em volta, do bolo que o aniversariante corta na frente de todo mundo, do peru de Natal cortado em frente à mesa. Selo Mauá no fundo.
Conjunto Completo Porcelana Mauá com 10% de desconto

Para quem quiser levar a coleção inteira da Mauá que veio da casa da Ana: as 8 peças com 10% de desconto. Duas sopeiras (média e grande), uma travessa oval funda, três travessas ovais rasas em três tamanhos, uma travessa redonda funda, um prato de bolo / travessa redonda rasa grande e molheira do garimpo #03. Só falar com a gente.
10. Travessa Oval M Cerâmica Scalla | R$ 120,00



Aqui muda a manufatura. A Cerâmica Scalla é uma manufatura brasileira menos famosa que a Mauá, com estética própria: branca, com detalhes em relevo no lugar do dourado. Conversa com as Mauá pela cor e se diferencia pela superfície, onde a Mauá aplica ouro, a Scalla esculpe. Travessa oval média, branca, com relevo. Estado perfeito.
11. Travessa Oval G Cerâmica Scalla | R$ 150,00



A irmã maior. Mesma cerâmica, mesmo relevo, em escala maior. Estado perfeito. Junta com a média: você tem duas peças do mesmo desenho em dois tamanhos, brancas, texturizadas, que se servem em conjunto sem competir com a louça mais ornamentada da mesa.
12. Travessa Redonda G Cerâmica Scalla | R$ 120,00



A peça mais ornamentada da Scalla nesse garimpo. Travessa redonda grande, branca, com relevo de frutas, um dos motivos clássicos da casa. 36 cm de diâmetro, 4 cm de altura. Estado perfeito. É a travessa que vira centro de mesa por mérito próprio. Você pode servir nela ou pode deixar ela enfeitar uma estante. Os dois funcionam.
Conjunto Completo Cerâmica Scalla com 10% de desconto
Para quem quiser as três peças Scalla juntas: a oval média, a oval grande e a redonda com frutas em relevo. 10% de desconto sobre o preço avulso. Trio harmônico, mesma cerâmica, mesma manufatura, três funções diferentes. Só falar com a gente.
📍 Como garantir sua relíquia?
Amanhã, quinta-feira, pontualmente às 10h, a loja abre em reliquiasdacoroa.com.br.
🔔 Atenção: A compra é apenas pelo site. Não vendemos por Direct, comentário ou WhatsApp.
⏰ Como a maioria das peças é única, o segredo é não bobear.
Dica da Sônia: os conjuntos têm 10% de desconto sobre as peças avulsas e fazem todo o sentido, especialmente o trio de travessas ovais rasas Mauá e o conjunto completo Mauá. É o tipo de coisa que praticamente não se encontra junto. Para comprar é só colocar os três itens no carrinho que tem desconto.
A casa muda. A história continua.
Doze peças. Duas manufaturas. Uma casa em Botafogo.
Até amanhã às 10h.
Com afeto e muito garimpo,
Sônia
A Coroa do Marketing do Relíquias da Coroa
